quinta-feira, 24 de novembro de 2011

As vezes passamos horas tentando escrever um texto, mas ouvimos uma música que diz exatamente aquilo que queríamos dizer...


Ao som de Ben Harper - Don't Give Up On Me Now


Time, it opens all wounds and trust, 
gonna put me in the tomb 
the world isn't mine 
the world isn't mine to save 
i can't afford to lose what you resell, throw 'way

And i don't even know myself 
what it would take to know myself 
i need to change i don't know how 
don't give up on me now.


It's not what we do it's what we do, 
it's what we feel takes all you have 
to stare it down and whisper, 
devil no deal and i don't wanna fight 
don't wanna fight my father's war 
you can wait your whole life 
not knowin what you're waiting for...


And i don't even know myself 
what it would take to know myself 
i need to change, i don't know how 
don't give up on me now. 

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Un jour d'hiver

Sinto de alguma maneira que precisava escrever alguma coisa. Tentar pelo menos reparar o dano causado, o mal entendido.


Ora, sabemos muito bem que o frio do inverno de alguma maneira congelou meus sentimentos. Que o vento gelado e cortante impede o aquecimento das minhas longas noites.


Sem explicação eu devo ter perdido a entrada e acabei me perdendo. Não, eu não sei onde realmente estou e como consegui chegar até aqui. Realmente não sei se deveria ter mudado algo, como também não sei se teria agido exatamente da mesma maneira se tivesse a benção da segunda chance.


Estou sentado, vestindo minhas calças xadrez e tomando algo para tentar aquecer mais uma noite fria e muito longa, ouvindo músicas e tentando não me perder no refrão de uma solidão cantada e prevista.


Talvez se a mulher, que me avisa sobre o redirecionamento de minhas ligações para sua caixa postal, me respondesse eu estaria amigo dela há muito tempo, ou ela simplesmente me diria para eu não tentar mais, procurar alguém diferente para ligar ou basicamente esquecer tudo.


No entanto, se eu optar por isso eu estaria desistindo de tudo. Dos verões, das rimas, dos refrãos, de sua mão tocando meu rosto. Eu não sou vidente, não posso afirmar que dará tudo certo. Penso apenas que um café ou um suco não nos mataria. Pelo menos eu sei que consigo fazê-la sorrir.


Lembro quando você reclamou sobre falta de consideração, de ser impossível não ter tempo para dizer um simples oi. O problema é que às vezes esse simples oi pode ser muito mal interpretado. Pode me colocar em uma posição um tanto quanto constrangedora. Caramba eu iria sim até o inferno, mesmo sabendo que não me atende, que recusa todos os convites para jantar. Talvez o calor do inferno me aquecesse, ou talvez eu congelasse ainda mais.


Um simples caminho, uma decisão pode mudar tudo. Mas nunca escondera minha intenção. Meu sentimento e vontade.


O problema é apenas ser mal interpretado novamente.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O amor não tem culpa.

E quem era ele para tentar falar sobre o amor ?


Nunca foi mais do que um garoto constantemente apaixonado não só por mulheres, música, artes, filmes, poesias, crônicas, estações climáticas, fenômenos aeroespaciais e até por futebol.


Um garoto que sempre se preocupou com a beleza da essência, com aquela beleza misteriosa e avasaladora que se esconde no mais profundo e escondido lugar dentro da alma de uma pessoa. O fútil e o superficial não chamam a atenção, não encantam.


O amor em si sempre foi um fenômeno inexplicável, por anos pessoas tentaram explicar como funcionava. Regras, teorias, combinações de gostos e preferências, tudo em vão. Não, o amor não conhece raça, sexo, religião, idade, profissão, visão política, e time de futebol. O dogma da beleza perfeita não existe. A sustentação por um ideal vai por água a baixo.


As vezes o amor decide brincar colocando um publicitário e uma bióloga juntos, ou um neurocirurgião com uma bibliotecária, tem até o floricultor e a engenheira civil. Salvo o exemplo de nossa adolescência, a menina gordinha de óculos que não era convidada pra festa nenhuma torna-se alguém que começa a despertar a atenção de muitos meninos.


O amor em si, nada mais é do que uma amizade unica, aquela vontade crescente de se ver todos os dias, de se preocupar ainda mais com os problemas. Você sabe que ela está morrendo de frio, pelo olhar dela. Ela não precisa pedir um cobertor. Isso é o amor agindo, você está tão conectado que sabe exatamente o que ela está pensando, ou sentindo antes mesmo delas falar. 


Quando o amor de duas pessoas chegam a esse ponto o amor personifica-se em telepatia, em linguagem pelo olhar, em um status quo inabalável. Quando você liga pra ela e ouve "nossa, estava pensando em ligar para você nesse exato momento", porra isso não é coincidência nem a porra do destino, isso é amor.


Você pode conhecer alguém que nasceu no mesmo dia que você, que gostas de quase todas as mesmas coisas, alguém que partilha a mesma maneira de pensar e no fim. Você termina sua dose de Whisky e simplesmente paga a conta e vai embora. Poxa mas ela era tão parecida e não rolou nada. Não, nem vai rolar.


Foi como eu disse, a beleza está escondida nas estrelinhas, não é o superficial que nos atraí, não é uma camiseta da nossa banda favorita muito menos vê-la cantar o hino do nosso time de coração.


Mas aí, ao ver aquela menina dando uma palestra em inglês sobre imunodeficiência, ou cantar uma música triste completamente bêbada no karaokê do bar, ou até lavando os óculos toda sem jeito, o amor pode acontecer exatamente nessas situações. Sem explicação nenhuma.


Como falar de amor e não falar de brigas, vasos chineses voando contra a porta, bouquet de flores sendo estraçalhados, pisoteados. Aquelas brigas de novelas, palavras gritadas, carregadas de rancor, de ódio que são lançadas apenas da boca pra fora. E depois de tudo isso você olha pra trás, e vê enquanto ela grita e gesticula incessantemente, nessa hora você olha lá no fundo, lembra-se de tudo o que passou até chegar neste exato momento, respira e dispara para cima dela, agarra-a como um leão e começa a beija-la, derruba ela no chão e vocês fazem o melhor sexo de suas vidas. Essas brigas....são amor!


O amor aparece quando menos esperamos, é pior que aquela gripe que chega antes do feriado prolongado e melhor que ganhar na raspadinha. 


O amor não tem como ser explicado, relacionado ou co-relacionado.


O amor é vivido, sentido e cheirado.


O amor não tem culpa.   

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Volonté et le Désir

Não, a culpa não foi da vodca nem das aspirinas.

A culpa não foi da distância muito menos da falta de vontade.

Se ela pedisse ele atravessaria o inferno, os sete mares, o núcleo da Terra. Ele desbravaria matas virgens, escalaria rochedos imensos e ainda por cima lhe traria flores todos os dias. Ele faria tudo o que fosse preciso e mais um pouco, seria surpreendente como sempre e criativo como nunca.

Ele está disposto a fazer tudo isso, talvez ela saiba ou não. Ela pode ter uma idéia da vontade que ele tem de ficar com ela, mas não imagina quão disposto ele está para conquistá-la. Ele tem uma leve, uma pequena impressão dela, coisa sucinta. Não passaram muito tempo juntos. Com um pequeno detalhe, ele é um jogador agressivo quando confiante arrisca sem titubear. 

Ela não sabe disso. Não sabe da frieza que ele possuí, muito menos do amor por uma negociação com valores inimagináveis. O conflito entre olhares, respiração acelerada quase sufocante, suor escorrendo pelos dedos, o tremer de uma pálpebra. Ele vive disso, dessa agressividade, deste mundo cão. Ele convence os homens mais poderosos de empresas confiarem nele. Ele faz tudo isso sabendo que quando depende apenas dele, ele derruba.

Mas infelizmente a moeda tem dois lados, não adianta apenas ele se esforçar, sangrar sozinho. Ele precisa ter uma segurança, ou até menos, um palpite já está ótimo. Infelizmente ele não consegue mostrar um mundo novo para quem está com os olhos fechados, ou que enxerga apenas o que quer.

Se ele soubesse apenas que ela tem vontade de vê-lo mais uma vez, ele faria tudo isso, e iria além, transformaria essa vontade de vê-lo em um desejo pertinente, ele faria com que ela sentisse segurança, confiança e vontade de não só vê-lo, mas de estar com ele a cada dia que passa.

Como em um jogo de dados, não dependemos apenas da sorte, mas sim da maneira que lançamos os dados.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Com certeza nada do que eu diga irá reparar tudo o que aconteceu, nenhuma ação fará com que o tempo volte e tudo esteja como foi um dia.

Não sei o que fazer, aliás, nada quero fazer. Tudo o que tinha que ser feito eu fiz, fui um companheiro exemplar, nunca neguei carinho e nada faltou. Todas as datas foram comemoradas com festas, presentes e alegria. Nunca deixei passar nada batido, nunca faltam flores, bombons e eternos beijos. Visitamos Paris, New York, Atenas, Egito, Disney, Sidney, Roma, Valência entre outras cidades. Conseguimos apreciar a Monalisa e Olympia.

Tínhamos um circulo de amizade invejável, recebíamos muitas visitas deixando a casa sempre lotada de amigos. Você dirigia aquela SUV que sempre foi apaixonada e eu tinha meu carro conversível. Tínhamos dois banheiros dentro de um, espaço nunca foi problema. Não só o closet como todos os móveis foram escolhas sua. A casa era impecável desde o nosso quarto até o jardim.

O jardim que um dia eu montaria um parquinho para nosso filho e uma casa de bonecas para nossa filha. O jardim que acolheria nossos amigos em festas e churrascos. Estive pensando em colocar até uma tabela de basquete.

O sofá novo da sala ainda está lá, com plástico e tudo, da cor e tecido que você escolheu. O tapete também chegou, com cores únicas tendo uma beleza inigualável. Cada detalhe, canto, enfeite e vaso, cada qual com seu toque, seu amor, meu amor.

A nova adega foi finalizada, não posso dizer se ficou linda mesmo sendo projetada por você não consegui ter o mesmo olhar. O carregador do seu celular ainda está sobre a mesa do escritório e na vitrola aquele LP de jazz que você cantava pela casa inteira. As flores murcharam e a grama perdeu a cor, isso já não foi nenhuma novidade.

Desculpe se demorei a voltar pra casa, mas a chave do barco ainda estava na minha gaveta, então não teve jeito. Não digo que seja a coisa mais fácil do mundo voltar aqui para lhe contar tudo isso, mas sinto que foi necessário. Eu não queria ter entrado lá e ter visto tudo isso novamente, mas dessa vez sem você. Há exatamente um ano atrás estive aqui despejando suas cinzas, outro lugar que não queria voltar.

Eu juro pela minha alma que eu fiz de tudo para te salvar, foram os remédios e tratamentos mais caros e indicados. Se pudesse teria te doado todos os meus órgãos, ainda me sinto culpado pela incompatibilidade de medula, justo na hora que precisávamos ser mais parecidos do que nunca.

Por dias eu chorei e odiei-me, procurei por conforto e amparo, mas o meu mundo não é mais o mesmo sem você, repentinamente ele perdeu as cores por um lado meu daltonismo foi curado, mas a dor no peito é aguda.

Desculpe por te incomodar, mas aqui é o único lugar que me sinto confortável... .
Sinto uma paz imensa, o corte nos pulsos parou de doer, estou chegando perto, me perdoe, mas não consegui viver sem ter você ao meu lado.

domingo, 10 de abril de 2011

Gemeinsam

Fale-me que você ainda está aí. Diga-me, por favor, que não leu o bilhete e que está tomando banho para irmos ao teatro.

Diga que tudo está bem e nada foi afetado. A movimentação parece estar em câmera lenta enquanto o pensamento ultrapassa a velocidade da luz. Tenho certeza de que nada está como antes.

Cheguei a Paris ontem e lhe vi no café, mas não tive coragem para falar com você, por isso enviei os convites juntos com as flores, espero que tenha gostado das tulipas, suas preferidas.

Espero que use aquele perfume do primeiro encontro, o cheiro que ficou no cinto de segurança do meu carro fez com que eu andasse como passageiro por uma semana.

Reservei uma mesa naquele restaurante que jantamos na primeira noite de nossa lua de mel, vou pedir aquela pasta só para ver você roubando meu prato, e pedirei aquele vinho de entrada para ver você sorrindo a toa tentando disfarçar seu estado.

Sei que você nunca entendeu certas coisas como o excesso de importância que dei ao trabalho, as inúmeras viagens de negócios a locais que nunca estivemos juntos. Mas nunca lhe disse o quanto essas viagens e lugares ficaram chatos sem sua presença. Sempre tinha planejado voltar pra casa e desejar nunca mais sair, estar com você e com os filhos que planejamos, mas nosso amor pela carreira nos impediu.

Queria dizer que vendi minha parte da empresa, tudo bem, pois descobri que preciso de algo que me traga mais felicidade, como tentar ter realmente uma família com você. Quero filhos, preocupações, ir a reuniões de condomínio e pais e mestres. Quero participar da decoração, escolher a cor da sala. Foda-se o dinheiro, com a venda apliquei uma parte e investi a outra, teremos segurança financeira pro resto da vida.

Eu quero uma vida normal, com preocupações rotineiras, levar o cachorro ao pet shop e pegar nossa filha no balé. Eu quero consertar a maquina de lavar louças e ir ao mercado.

Quero lavar o carro de domingo com nosso filho, quero levá-lo ao estádio de futebol e comprar todas aquelas porcarias. Quero uma vida, minha vida, nossa vida.

Larguei o cigarro e a bebida, não tomo nem aquela dose antes do jantar, voltei a jogar tênis e saio para uma caminhada toda manhã.

Você me mudou, mostrou que sou capaz de muitas coisas além da vida ordinária de trabalho e mais trabalho. Você fez com que a barreira fosse quebrada e uma nova pessoa desabrochasse.

Você conseguiu tudo isso apenas com seu sorriso, seu jeito meigo e sua doce risada. Não desista agora, saia comigo e vamos ver o mar. Confie em mim, acredite sem medo.

Esqueça tudo e largue o que te prende, seremos nós...

Para sempre.

terça-feira, 15 de março de 2011

Temo

Você viaja 200km para encontrar alguém, no caminho para casa você não vê a maldita hora de chegar em sua cama, esquecendo tudo, desejando que o dia apenas termine. Seu celular toca, você está na serra em meio a chuva e neblina, mas é convidado para ir a um bar do qual você não gosta.
No meio da noite você conhece alguém que muda seu jeito de pensar, que mostra que não é preciso ter medo, faz com que você volte a sentir aquela coisa do lado esquerdo do peito batendo novamente.

Você é mais educado, gentil e cavalheiro do que nunca. Abre a porta do carro, elogia a roupa o sorriso.
Você sente a merda do mundo tornar-se um lugar melhor e ele chega até parar por alguns instantes quando vocês se abraçam.

E para que exatamente ?

E exatamente uma semana depois você está sentado apenas se perguntando o maldito por que de tudo isso ?
Seu celuar não dá o minímo sinal de vida, sua caixa de email recebe apenas emails de descontos e algumas coisas relacionadas ao trabalho. Não, ela não tem o telefone do seu quarto.

Você vem o lindo sol de outono nascer sem cor.

E ainda continua se perguntando o maldito por que de tudo isso ?
Por que tem que ser assim ?

Não é justo.....
Não é justo.